Edem : Em algum momento
Edem : Em algum momento
A luz das velas me ofuscaram por um momento. A sala era de madeira, com uma grossa coluna feita com o tronco nú de uma árvore no centro. Três velas circundavam a coluna. E 5 em cada uma das paredes, mais duas do lado de cada uma das 3 portas. Uma delas estava aberta, a claridade indicava que mais velas estavam acesas naquele corredor.
“- Bem vinda a minha humilde casa.” Disse Harold assim que atravessou o portal, esticando a mão com a palma voltada para o portal e a fechando em seguida, fechando também a porta mágica.
“- Se você seguir por aquele corredor verá haverá 3 portas, uma de cada lado e uma ao fundo.” Explicava ele. “- Cada qual leva a um quarto. Você pode escolher uma das duas laterais, a que mais lhe agradar. Mas a do fundo não. Aquele quarto me pertence, e não permito a entrada de mais ninguém.”
“- Obrigada.” Respondi enquanto me dirigia para o corredor. “- Pode deixar que não vou bisbilhotar o seu quarto.
Assim que entrei no corredor ví que a porta do terceiro quarto estava aberta, permitindo que a claridade iluminasse um pouco e eu pudesse ver o tapete vermelho logo atrás do alcance da porta.
“Não vou cair nesse teste.” Abri a porta da esquerda, O quarto era grande para a cama de solteiro e o guarda roupa que o ocupava. Grande não era bem a palavra, ele era espaçoso. Resolvi dar uma olhada no outro quarto, era um pouco maior, tinha uma cama de casal, e outro guarda roupa. Fiquei com o quarto menor com cama de solteiro.
Abrei o guarda roupa, havia um boa variedade de roupas. Escolhi uma saia que ia até um pouco acima dos joelhos. Uma camisa de manga comprida branca com estampa do Iron Maden.
“- Vestuário estranho para um anjo.” Disse rindo enquanto provava outras roupas antes de ficar com as que tinha escolhido primeiro. Notei que não haviam roupas de baixo. “Acho que não vai ser problema.”
O quarto era aconchegante. Um criado-mudo com uma vela acesa ao lado da cama. Duas velas, uma de cada lado da porta do quarto. Três velas na parede que não tinha nada e duas na com a janela, também uma de cada lado.
A janela estava aberta. Ao olhar pela janela pude ver que a casa se localizava num campo, com casas ao alcance da vista, visíveis apenas por conta das lamparinas acesas ao lado de fora. Devia haver mais casas que não era possível ver na escuridão da noite avançava.
“- Que estranho. Achei que estava apenas amanhecendo quando abri os olhos.”
Quando voltei para a sala ele estava sentado numa poltrona velha, mas concervada. Já não tinha mais asas. Não fosse pela própria aura angelical que emanava, dava para confundí-lo com um humano.
“- Sente-se.” Ele disse assim que me viu. “- Só pesso não o faça na minha frente, ou se o fizer que tome cuidado. Sei que não há roupas de baixo.”
“- Como não sabia como você era não pude providenciar tudo. Peço que me desculpe.”
“- Você podia ter comprado de diferentes tamanhos e modelos como fez com as roupas.” Respondi com bom humor. De fato não ligava para aquilo. Mas como respeito seitei numa cadeira não totalmente de frente a ele.
“- Confesso que não pensei nessa possibilidade. Amanhã providenciaremos isso.” Se desculpava atoa, chegava a ser bonitihno. Parece que estava um pouco encabulado por ter uma discípula. Ou talvez fosse por ter me visto nua.
“- Antes de começar. Você tem alguma pergunta?”
“- Sim. Porque as roupas e tudo mais. Isso não é o paraíso?”
“- Sim, é o paraíso.” Respondeu. “- Ao menos de certa forma. Os humanos tem uma concepção muito errada de como é o paraíso. Para nós, celestiais, esta não é a morada final. Muitas almas, que aqui são apenas espíritos vem para o Edem respousar. Estes não lutarão contra o mal.”
“- Estas pessoas vivem no Edem em vilas que represantam sua própria concepção de paraíso. Algumas em vilas rústicas, como esta, outras em vilas high-tec. E você entenderá que o nudismo não faz parte do senso de perfeição desses espíritos.”
“- Eles inventaram as roupas para vestí-las. E gostam de fazê-lo. Sentem prazer em trocar de roupas e tomar banho mesmo não sendo necessário.”
“- Algo mais?”
“- Sim.” Respondi. “- O que houve com suas asas e quem eram aqueles que ví em sonho? Se bem me lembro, você disse que tinha sido avisado em sonho onde me encontrar, seriam os mesmos seres?”
“- Você tem bastante perguntas para uma só.” Disse ele rindo. “- Mas tudo bem, sua curiosidade é natural. Achei estranho não me bombardear de perguntas assim que estivesse vestida, ou até mesmo antes. Eu mesmo não sosseguei e não me vesti antes de meu mestre ter me explicado tudo o que eu desejava saber.”
“- As asas, elas fazem parte de nossa forma celestial. Com isso podemos usar nossos maiores poderes. Particularmente nós, Sancti, o cléro do qual você também faz parte, possui o poder da cura. A cura perfeita, podemos reparar as asas arrancadas dos celestiais, que não pode ser feito de outra forma.”
“- Com as asas também podemos voar.” Ele continou a explicação paciente. “- Por isso as tinha quando a encontrei no jardim. Mas agora já não há necessidade. E usá-las aqui dentro, é um tanto incoviniente.”
“- Já aqueles que você encontrou em sonho, que eu também encontrei quando renasci aqui, e que várias vezes me visitaram, são chamados de guardiões. Não são celestiais. Não podemos nos tornar o que eles são, e eles não podem fazer nada em nosso lugar.”
“- Acredito que seja uma ligação entre o Criador e nós. Para que tenhâ-mos um rumo. Para fazer as coisas corretamente. Eles não são necessáriamente os mesmos que me visitaram. Parece que para cada assunto, há uma dupla diferente.”
A noite passou e já estava quase amanhecendo quando ele parou de me explicar sobre as regras e costumes.
“- Uma última pergunta.” Disse quando estava indo para meu quarto. “- No jardim, você disse que o bosque se chamava Bosque do Despertar. Porque?”
“- Por que agora você está desperta. Para você, quando retornar lá, será como um Bosque do Repouso, mas pode vir a se tornar do Despertar novamente, caso haja necessidade. Agorá vamos dormir.” Dito isso ele entrou em seu quarto e fechou a porta. As velas da casa estavam acesas. Por algum motivo me senti obrigada a apagá-las. Voltei a sala e comecei a apagar uma por uma com um leve sopro. A maioria das velas estava ao alcance do rosto. As mais altas eram as velas da coluna. Estas podia ser pegas com a mão.
Aproveitei a oportunidade para explorar as outras duas portas. Uma delas estava trancada. A outra dava para a rua. Estrelas pontinlhavam o céu. Ao longe podia ver algo parecido com uma vila, ou talvez o começo de uma cidade. Uma brisa suave balançava meus cabelos. O ar estava agradavelmete fresco.
Apaguei o lampião e voltei para o quarto, baixei a tranca de madeira, por costume de trancar apenas. Pois duvidava que Harold fosse fazer qualquer coisa. Apaguei as velas das paredes, deixando apenas a do lado da cama acesa. Tirei minhas roupas, ficando nua e deitando apenas sob o lençol fino. Apaguei a ultima vela. A luz pálida da aurora entrava pela janela aberta.